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O DÍZIMO NA ESCRITURA: ELE DEVE SER PRATICADO HOJE?

A palavra “dízimo” diz respeito à décima parte de um todo. No contexto eclesiástico, dízimo é a décima parte do que Deus nos concede e que deve ser devolvida a ele, como um ato de adoração, gratidão e obediência, em reconhecimento de que tudo lhe pertence. Não se trata de algo que a igreja inventou, mas de um princípio perpétuo estabelecido por Deus em sua Palavra. Não se trata de algo opcional para os cristãos, mas de um mandamento que deve ser levado a sério. Vamos entender esse ensino bíblico um pouco mais.

O QUE DIZ A BÍBLIA? A palavra “dízimo” aparece 36 vezes, na Bíblia Almeida Revista e Atualizada. Dessas menções, vinte e seis delas estão no Antigo Testamento e dez no Novo Testamento. De modo geral, o que todos esses textos ensinam sobre essa prática ainda hoje utilizada pela igreja? O conteúdo de alguns desses textos será examinado, para chegarmos a uma resposta.

A origem do dízimo: O dízimo é de procedência divina “e sua prática remonta a épocas longínquas da história da humanidade”. Historiadores e arqueólogos mostram que, mesmo entre os povos pagãos, o dízimo foi praticado desde muito cedo. Era um dos itens da prática da piedade religiosa de vários povos. Há referência ao dízimo na história de Babilônia, Grécia, Arábia, Cartago e outras culturas antigas.

A primeira referência bíblica a alguém entregando dízimo está em Gênesis. Abrão entrega o dízimo de tudo que conquistara a Melquisede Souza (2010:69). Idem. que, sacerdote do Deus Altíssimo (Gn 14:18-20). Ele o fez prontamente. Sabia que tudo pertencia ao Altíssimo e quis agradecer-lhe pela vitória conquistada, devolvendo-lhe o dízimo. Mas quem lhe ensinou a proceder assim, visto que a lei de Deus ainda não havia sido escrita? O próprio Deus deve ter-lhe orientado quanto a essa prática, que era comum em sua terra natal, Ur dos caldeus.

Escavações arqueológicas na cidade de Ur revelaram que os sacerdotes dos templos pagãos recebiam dízimos e anotavam em tabuinhas de barro as entradas. Parece que Deus colocou esse senso de responsabilidade na consciência dos homens de Ur. Afinal de contas, eles entenderam que deveriam honrar a divindade, que é dona de tudo. O próprio Abrão ensinou isso aos seus descendentes. Seu neto, Jacó, prometeu dar o dízimo de tudo (Gn 28:22).

A legislação do dízimo: Conforme acabamos de apresentar, a prática de dar o dízimo, entre o povo de Deus, é anterior à lei. Contudo, ele passou a ser parte integrante da lei cerimonial. A décima parte das colheitas, dos frutos e dos animais deveria ser entregue ao Senhor anualmente: ... certamente darás os dízimos (Lv 27:30-33; Dt 14:22). Existe uma razão especial para os dízimos terem entrado na lei.

Quando o povo de Deus chegou à Canaã e a terra foi dividida entre as tribos, a tribo de Levi não recebeu parte da divisão das terras. O Senhor era a herança dos sacerdotes e levitas (Nm 18:20). Ele escolheu essa tribo para servir exclusivamente no tabernáculo.

Os levitas e sacerdotes, deste modo, teriam de depender de Deus para o seu sustento, por intermédio do povo: ... dou por herança aos levitas os dízimos que os israelitas oferecem (Nm 18:21, 24). Os levitas recebiam o dízimo do povo e davam o dízimo do que recebiam aos sacerdotes (Nm 18:25-28). Assim, Deus garantia o sustento tanto dos levitas quanto dos sacerdotes, e estes podiam dedicar-se a 3 Keller (1974:35). 3 ensinar a lei ao povo (2 Cr 31:4). Sendo assim, o povo deveria ser fiel, para que, na casa do Senhor, nunca faltasse mantimento (Ml 3:10). Além do dízimo regular, a cada três anos o povo entregava um dízimo que era dedicado especialmente aos pobres, estrangeiros e viúvas (Dt 14:28-29).

A validade do dízimo: Com o fim da lei cerimonial, o dízimo continua sendo válido para os cristãos? Acreditamos que sim, por, pelo menos, três razões: Em primeiro lugar, ele é anterior à lei. Já mostramos que, antes de a lei existir, o dízimo já existia (Gn 14:18-20, 28:20-28). Apesar de ter sido incluído nas leis cerimoniais, o dízimo surgiu muito antes destas; portanto, continua válido e em vigor, até a volta de Cristo.

Em segundo lugar, Jesus disse que a prática do dízimo deveria ser cumprida. Quando censurou os escribas e fariseus por serem zelosos no dízimo, mas negligentes nos preceitos mais importantes da lei - tais como: a justiça, a misericórdia e a fé -, o Mestre alertou-os: ... devíeis fazer estas coisas, sem omitir aquelas (Mt 23:23; Lc 11:42). Jesus estava dizendo que eles deveriam praticar a justiça, a misericórdia e a fé, que são mais importantes, sem esquecer o dízimo, que também é importante.4

Em terceiro lugar, existe um princípio importante sobre o sacerdócio de Cristo que devemos levar em conta. O autor de Hebreus nos diz que ele é sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 7:17). O que aconteceu no sacerdócio de Melquisedeque acontece, também, no sacerdócio de Cristo. Assim como aquele recebeu dízimos de Abraão, este recebe dízimos dos filhos de Abraão, pela fé, e isso até o final dos tempos, pois seu sacerdócio é eterno.5

A finalidade do dízimo: Se, no Antigo Testamento, a entrega dos dízimos tinha como finalidade a manutenção de sacerdotes e levitas, no Novo Testamento, com surgimento da igreja e o fim do ministério levítico, o mesmo dízimo destina-se à manutenção da igreja, cujos membros são sacerdotes (1 Pd 2:5, 9-10). Para cumprir a missão de Deus no mundo, ela conta com a contribuição dos cristãos, por meio de dízimos e ofertas.

Na igreja, Deus capacitou com dons de liderança alguns cristãos, que se dedicam exclusivamente ao anúncio do reino. Em 2 Crônicas 31:4, lemos que os sacerdotes e os levitas deveriam receber os dízimos para que pudessem dedicar-se ao ensino da lei. Em 1 Coríntios 9:14, Paulo diz que o Senhor ordenou que os que anunciam o evangelho vivam do evangelho (cf. Lc 10:7). Obviamente, o texto está tratando de pessoas que se dedicam exclusivamente a essa tarefa. Elas devem ser sustentadas pela igreja.

Os primeiros missionários itinerantes não aceitavam dinheiro daqueles que não eram cristãos (3 Jo 1:7). O sustento dos primeiros pregadores vinha da contribuição dos próprios cristãos (2 Co 11:8). O Novo Testamento ensina que os presbíteros que governam bem a igreja devem ser dignos de salário em dobro, especialmente os que se afadigam na palavra e no ensino (1 Tm 5:17-18). Esse salário é pago por meio de dízimos e ofertas.

Pois bem, cada cristão deve dedicar a décima parte de todas as suas rendas ao Senhor, como um ato de adoração e gratidão, reconhecendo que tudo pertence a Deus. Essa prática é anterior à lei e continua sendo válida para os cristãos de todos os lugares, que estão debaixo do sacerdócio de Cristo, sacerdote da ordem de Melquisedeque. Os dízimos devem ser empregados para o cumprimento da missão da igreja, inclusive o sustento daqueles que se dedicam à pregação do evangelho.


Pr. Eleilton William

Bacharel e Mestre em Teologia (com ênfase em interpretação bíblica)
5 REFERÊNCIAS KELLER, Werner. E a Bíblica tinha razão. 10 ed. São Paulo: Melhoramentos, 1974. SOUZA, Samuel Junqueira de. Dízimos e ofertas: um panorama bíblico. São Paulo: Cultura Cristã, 2010.

Autor

Pr. Eleilton William

Bacharel e Mestre em Teologia (com ênfase em interpretação bíblica)
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